Google+ Followers

quarta-feira, 29 de maio de 2013

aparições II

por Luiz da Nóbrega  em Terça, 7 de maio de 2013 
  Para dentro do bolso, onde dorme a carteira que se apalpa a toda a hora. Da qual se conhecem todos os poros do plástico preto reciclado.
  Pairam olhares deslavados. Ausentes. Nem sequer incertos, apenas fixos nos muros interiores de dentro, lá dentro....Lá dentro o que? Lá dentro nada. Está tudo parado.
  E eu que sai à rua para espairecer! Aparecem-me estes...Ide pairar pro caralho.
  Nem uma passadeira se pode atravessar sem pairar uma aceleradela brusca. E o perigo das horas de ponta?
  Por vezes pairam algumas gaivotas. Mas são umas putas...abandonam o mar para virem mendigar uma migalhas de pao a Bruxelas! Depois ficam ali a boiar nos canais de barriga cheia, a esquecerem-se dos instintos.
  Depois aparecem no centro da cidade. Planam assim por cima dos transeuntes, ameaçando a cagadela. E os passantes, esses, também se estão a cagar. Interessa-lhes là bem saber daquilo! Ou se é a Natureza que está a ser insultada. Que Natureza?
  A natureza é que é a culpada disto tudo...que desapareça. Tem é de sumir-se. Vamos amarfanhar isso tudo até não ficar mais que uma simples ideia a pairar por cima de alguns ecologistas doidos mal desprogramados.
  ( Tudo isto se depaira quase real. Como se a realidade não passasse de uma pairagem no deserto de cada um.
  Nem se aceita o real. Nem se quer o ilusório. Muito poucos ousam ainda inventar alguma coisa. Alguns. Aqueles que vêem as coisas.
  Aparecem-me antigas amizades, fugidias. Descubro, espantado,  que transportam doenças mentais não identificadas. A.M.N.I. Avarias . A.M.N.I.A. Anônimos. Avarias mentais não identificadas -anônimos?
  Estaremos mesmo a ficar todos anônimos? Out ou antônimos de nos mesmos?  Antônimos daquilo que fomos, e ainda, no fundo, somos, mas que julgamos mudar...
  é claro que tudo mudou mas não dei conta. Estava ocupado a aprender a respirar com musica. Longe do barulho dos martelos, das perfuradoras e outras máquinas atroadoras que me fizeram tremer durante muitos anos.
  E depois: Manifestação

( continuação)

Nenhum comentário:

Postar um comentário