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quarta-feira, 29 de maio de 2013

ficámos de feridas abertas esperando o álibi do tempo


por Luiz da Nóbrega  em Sábado, 27 de abril de 2013 
Ficamos de feridas abertas
ainda mal cobertas pelo pó do álibi do tempo

por isso ainda me torturam tanto as imagens de ti que trago comigo

não só as físicas

as mais nítidas são as dos sonhos que sonhamos juntos

a imagem do futuro

do nosso futuro de mão dada

(adoro as tuas mãos)

de um amor que duraria o resto das nossas vidas

das viagens que faríamos parando aqui e acolá para trocarmos beijos,

para fazer também meu

esse tao só teu beijo

e nos encontrarmos num só

a qualquer hora

estarmos sempre um no outro e um com o outro

e ficarmos fortes assim com a fonte quente que brota do amor

para seguir em frente e seguir a vida,

mostrando a nossa luz e nossa ferida

sendo um para o outro sol cristalino

e entrar nas sombras que se cruzaram e ainda se cruzam

do passado, do presente e do quase futuro que nunca é igual ao que poderia ser diferente

saber que no meio disso tudo estávamos nos

pele com pele , de olhar seguro

a ouvirmos a mesma voz

do mar, do pássaro , do cão, de um amigo, de um filho, ou de outra coisa qualquer

é esta a imagem mais nítida que tenho de ti.

e também aquela de te ser enseada ou barco

de nos tornarmos ilha no meio de tudo.

(vou-te contar uma coisa: estou no escuro, escrevo-te poemas de olhos fechados)

como queres que te prove o que me corre pela espinha?

de olhar aberto ao rio do tempo,

e em que lugar te provar como passo os dias,

também aquela imagem dos nossos corpos oscilando um no outro

devagar

e aquela em que poderia aflorar o teu rosto

seguir a curva do teu queixo

só com o polegar encontrar

exactamente onde pousar o beijo

e a do equilíbrio de um sorriso nascido ao mesmo tempo e a foto final feita num dia sem data

em que poderia enfim chamar-te

meu amor.

mas estamos de feridas abertas abertas cobertas do pó do álibi do tempo

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